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miércoles, 23 de diciembre de 2009

O Banqueiro Anarquista / Fernando Pessoa


Me encantaría ser capaz de escribir esta entrada en perfecto portugués, pero paso. Pa qué, ¿pa cagal'la?, que dice el chiste. A ver, poder, se puede. Pero me llevaría tiempo. Y pa una vez que me pongo, casi que mejor lo hago del tirón (foto, transcripción y comentario).

Oigan, que es que estoy aprendiendo portugués, así, en plan autodidacta. Hay que decir que lo de saber gallego ayuda de la ostia. jajaja. Las circunstancias me incitan a aprenderlo.
Y así aprovecho y leo en otros idiomas.

El amigo Pessoa. Promete. ¡Mucho! . Su nombre es fácil encontrárselo de repente: novelas, artículos, entrevistas... le mentan bastante. Ahora comprendo el porqué.
Les pedí a unos amigos que me trajeran algún librito de poesía en un viaje que hicieron a Oporto (y así matar dos pájaros de un tiro: leer poesía y otra lengua, que lo tengo como deberes).. y bueno, me trajeron éste, que es como un cuento corto. La edición me encanta. La portada ES INCREÍBLE. Pero pa mí que la imagen del señor con el gorro es de la propia editorial. Habla de la literatura portuguesa.

Y el contenido: me ha encantado. Este, en vez de recomendarlo al final, lo hago al principio, por si os perdéis en mitad de la lectura y no lo llegáis a ver.

El título es muy representativo. Va de eso, de un banquero anarquista (banquero, que no bancario). No cuenta una historia, bueno, sí, la historia de su evolución ideológica. Así se presenta, como banquero anarquista. Y el otro personaje, un caballero que aporta el contrapunto a sus argumentos mientras el banquero anarquista habla y fuma.
Lo primero que diríamos todos: ¿cómo un banquero puede ser anarquista?. Pues sí. Se puede, y este señor es la prueba viviente. Al menos si se sigue su línea de razonamiento que, apararentemente, acompaña de una lógica aplastante.

He dudado sobre cómo escribir el comentario al libro, el hecho de poner fragmentos va desvelando los argumentos del banquero, que creo que es, al fin y al cabo, la clave del libro. A eso ahora le llaman "spoiler" ¿no?, recuerdo que antiguamente se le llamaba "joder-el-final-del-libro/peli". Así que, avisado queda, vosotros veréis cuántos fragmentos os queréis leer y hasta qué punto del razonamiento queréis llegar. Aún así, lo complico un poco dejándolo en portugués. Pero um pouco, não mais.

Puedo decir que el banquero anarquista tiene en cuenta aspectos como que:
  • el verdadero problema de la "opresión" ante la diferencia de clases se debe a las relaciones entre los individuos, no a los propios individuos o a la estructura de la sociedad implantada.
  • los hombres en grupo (viene de fábrica) se posicionan: o bien organizando o bien esperando/acatando directrices.
  • pasa de la violencia física.
Basándose en eso y en la experiencia de los años como "anarquista" rodeado de más "anarquistas", por deducción, acaba demostrando que él es anarquista.
Todo un juego de lógica.

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"Um nasce conde ou marquês, e tem por isso a consideração de toda a gente, faça ele o que fizer; outro nasce assim como eu, e tem que andar direitinho como um prumo para ser ao menos tratado como gente"






"A gente nasce homem ou mulher - quero dizer,nasce para ser, em adulto, homem ou mulher; não nasce, em boa justiça natural, nem para ser marido, nem para ser rico ou pobre, como também não nasce para ser católico ou protestante, ou português ou inglês."





"Qual é a ficção mais natural? Nenhuma é natural em si, porque é ficção; a mais natural, neste nosso caso, será aquela que pareça mais natural, que se sinta como mais natural? É aquela que estamos habituados. (V. compreende: o que é natural é o que é do instinto; e o que não sendo instinto, se parece em tudo com o instinto é o hábito. Fumar não é natural, não é uma necessidade do instinto, mas, se nos habituamos a fumar, passa a ser-nos natural, passa a ser sentido como uma necessidade do instinto)."





"O que quer o anarquista? Liberdade - a liberdade para si e para os outros, para a humanidade inteira. Quer estar livre da influência ou da pressão das ficções sociais; quer ser livre tal qual nasceu e pareceu no mundo, que é como em justiça deve ser; e quer essa liberdade para si e para todos os mais. Nem todos podem ser iguais perante a Natureza: uns nascem altos, outros baixos; uns fortes, outros fracos; uns mais inteligentes, outros menos... Mas todos podem ser iguais de aí em diante; só as ficções sociais o evitam. Essas ficções sociais é que era preciso destruir.''




"Veja agora bem o que isto representa... Um grupo pequeno, de gente sincera garanto-lhe que era sincera!), estabelecido e unido expressamente para trabalhar pela causa da liberdade, tinha, no fim de uns meses, conseguido só uma coisa de positivo e concreto - a criação entre si de tirania. E repare que tirania... Não era uma tirania derivada da ação das ficções sociais, que, embora lamentável, seria desculpável, até certo ponto, ainda que menos em nós, que combatíamos essas ficções, que em outras pessoas; mas enfim, vivíamos em meio de uma sociedade baseada nessas ficções e não era inteiramente culpa nossa se não pudéssemos de todo fugir à sua ação. Mas não era isso. Os que mandavam nos outros, ou os levavam para onde queriam, não faziam isso pela força do dinheiro, ou da posição social, ou de qualquer autoridade de natureza fictícia, que se arrogassem; faziam-no por uma ação de qualquer espécie fora das ficções sociais, uma tirania nova. E era uma tirania exercida sobre gente essencialmente oprimida já pelas fficções sociais. Era, ainda por cima, tirania exercida entre si por gente cujo intuido sincero não era senão destruir tirania e criar liberdade."





"Temos, pois, que uma coisa é evidente... No estado social presente não é possível um grupo de homens, por bem intencionados que estejam todos, por preocupados que estejam todos só em combater as ficções sociais e em trabalhar pela liberdade, trabalharem juntos sem que espontaneamente criem entre si tirania, sem criar entre si uma tirania nova, suplementar à das ficções sociais, sem destruir na prática tudo quanto querem na teoria, sem involutariamente estorvar o mais possível o próprio intuito que querem promover. O que há a fazer? É muito simples... É trabalharmos todos para o mesmo fim, mas separados."





"Trabalhando assim separados e para o mesmo fim anarquista, temos as duas vontades - a do esforço, e a da não criação de tirania nova. Continuamos unidos, porque o estamos moralmente e trabalhamos do mesmo modo para o mesmo fim; continuamos anarquistas, porque cada um trabalha para a sociedade livre; mas deixamos de ser traidores, voluntários ou involuntários, à nossa cousa, deixamos mesmo de poder sê-lo, porque nos colocamos, pelo trabalho anarquista isolado, fora da influência deletéria das ficções sociais, no seu reflexo hereditário sobre as qualidades que a Natureza deu."




"O que há de mau nas ficções sociais são elas, no seu conjunto, e não os indivíduos que as representam senão por serem representantes delas."






"-Ora V. criou tirania V. como açambarcador, como banqueiro, como financeiro sem escrúpulos - V. desculpe, mas V. é que disse -, V. criou tirania. V. criou tanta tirania como qualquer outro representante das ficções sociais, que V. diz que combate.
- Não, meu velho, V. engana-se. Eu não criei tirania. A tirania, que pode ter resultado da minha ação de combate contra as ficções sociais, é uma tirania que não parte de mim, que portanto eu não criei; está nas ficções sociais, eu não ajuntei a elas. Essa tirania é a própria tirania das ficções sociais; e eu não podia, nem me propus, destruir as ficções sociais. Pela centésima vez lhe repito: só a revolução social pode destruir as ficções sociais (...) Não é de não criar tirania que se trata: é de não criar tirania nova, tirania onde não estava. Os anarquistas, trabalhando em conjunto, influenciando-se uns aos outros como eu lhe disse, criam entre si, fora e à parte das ficções sociais, uma tirania; essa é que é uma tirania nova. Essa, eu não a criei. Não a podia mesmo criar, pelas próprias condições do meu processo. Não, meu amigo; eu só criei liberdade. Libertei um. Libertei-me a mim. É que o meu processo, que é, como lhe provei, o único verdadeiro processo anarquista, me não permitiu libertar mais. O que pude libertar, libertei."

martes, 24 de noviembre de 2009

El arte de amar / Erich Fromm


Vamos con Fromm.
El segundo de él que cae.
El primero fue Ética y Psicoanálisis, del que puse una entrada en su día. A propósito de ese libro, voy a recomendarles otra librería, que además está muy cerca de esa librería de segunda mano que ya he recomendado en alguna otra ocasión (ver entrada de El inmoralista/André Gide). La que nos ocupa también se encuentra en la calle Fernando el Católico, pero tirando más hacia Moncloa, en concreto en el nº 86, en frente de las paradas del 16 y del 61, autobuses que he estado cogiendo durante años. Esa es la razón por la que tantas veces he acabado con la nariz pegada al escaparate. Se llama Juan Rulfo y es una filial del Fondo de Cultura Económica (precisamente la editorial del ejemplar de Ética y Psicoanálisis). Sobre el Fondo de Cultura Económica me hablaron en una asignatura de la carrera, "Historia de la cultura escrita: evolución material", en el tema sobre el libro en el Siglo XX. Te tenías que aprender unas cuantas editoriales. ¡Ah! ¡Un inciso! ¡Curiosidades editoriales! Seguro que todos conocerán la editorial Espasa-Calpe. Bueno, en sus orígenes eran dos editoriales independientes. Por un lado Calpe, en 1923 contaba con más de 1100 títulos para comercializar, y el fucking boss de la empresa (un tal Nicolás María Urgoiti, ¡aúpa!) sabía de quién rodearse: Ortega y Gasset y Menéndez Pidal (confeccionó el primer diccionario de la editorial) entre otros. A destacar su colección de Clásicos Universales, que es como la mamá de la colección Austral, una de las primeras colecciones de libro de bolsillo. Y en cuanto a Espasa, nació en 1860 como una casa de suscripciones, y lo llevaban dos hermanos "Hermanos Espasa", que fue la primera denominación. Luego se quedó sólo uno, que en 1861 se unió con su hermano político: Manuel Salvat. ¡Flipa! ¡El de Salvat! Si es que todo queda en familia. Unas décadas después empezaron con la Enciclopedia Espasa. Finalmente, en 1922 (más o menos cuando empiezan con la colección austral), se asocia con Calpe, naciendo así la editorial Espasa-Calpe.
Volviendo al Fondo de Cultura Económica, llevan publicando desde 1934 cuando fue fundada por Daniel Cosío Villegas. La finalidad de la editorial era principalmente didáctica: economía, políticas, derecho, filosofías, sociología, historia... Así que tanto la librería como la editorial siempre serán buenas referencias para localizar este tipo de obras. Les dejo el link de la librería (afincada en el dominio de la editorial): Librería Juan Rulfo.

Vamos concretando.

Lo que más me ha sorprendido conforme preparaba la entrada ha sido encontrar partes de la obra en páginas web del Opus Dei, joder, con lo libreral que era el jambo este. La impresión que me dal al leer a Fromm, es que es un tipo sin mayor pretensión que la de exponer aspectos psicológicos/sociológicos sin juzgar a las personas. Como buen pensante liberal.

"Como la mayoría de la gente une el deseo sexual a la idea del amor, con facilidad incurre en el error de creer que se ama cuando se desea físicamente. El amor puede inspirar el deseo de la unión sexual; en tal caso, la relación física hallase libre de avidez, del deseo de conquistar o ser conquistado, pero está fundido con la ternura. Si el deseo de unión física no está estimulado por el amor, si el amor erótico no es a la vez amor fraterno, jamás conduce a la unión salvo en un sentido orgiástico y transitorio. La atracción sexual crea, por un momento, la ilusión de la unión, pero, sin amor, tal "unión" deja a los desconocidos tan separados como antes. -a veces los hace avergonzarse el uno del otro, o aun odiarse recíprocamente, porque, cuando la ilusión se desvanece, sienten su separación más agudamente que antes-."

Visto lo visto, parece que lo tiene claro. Mas no por ello critica a los que elijan formar parte de ese tipo de no-uniones. Y no sé por qué intuyo que a este mismo párrafo alguno del Opus Dei le añadiría un: "y además es pecado e irán al infierno".

A parte de la importancia que le da al tema tema de la relación amor-sexo, Fromm hace hincapié en que no existe un único tipo de amor, sino varios: fraternal, materno, erótico, religioso y propio. Muy acertado si lo pensamos bien.

Me ha chocado un poco la apreciación que hace sobre la homosexualidad, al loro que cae la bomba: "La polaridad masculino-femenina es también la base de la creatividad interpersonal. Ello se evidencia biológicamente en el hecho de que la unión del esperma y el óvulo constituyen la base para el nacimiento de un niño. Y la situación es la misma en el dominio puramente psíquico; en el amor entre hombre y mujer, cada uno vuelve a nacer. (La desviación homosexual es un fracaso en el logro de esa unión polarizada, y por eso el homosexual sufre el dolor de la separatidad nunca resuelta, fracaso que comparte, sin embargo, con el heterosexual corriente que no puede amar.)"
A día de hoy, esa afirmación le conllevaría recibir un aluvión de denuncias por parte de más de un colectivo. Yo no creo que esté diciendo nada ofensivo, sino que más bien da una explicación a esa posible "angustia" (que no fracaso, creo yo) que puedan sentir algunos de los que no encuentren finalmente su sitio (o no les dejen encontrarlo).

Sobre la fe también tiene para dar y tomar, puesto que amor y fe (y de esto estoy completamente segura sin necesidad de leérselo a ningún gran pensador) están íntimamente unidos. En palabras de nuestro amigo Erich: "El amor es un acto de fe, y quien tenga poca fe también tiene poco amor."

Otro de los aspectos que ya aparecían en "Ética y psicoanálisis" es la caracterización del hombre moderno como mercantil, comerciante de cualquier objeto susceptible de ser canjeado, y por objeto entendemos tanto a nivel material como espiritual. Siempre esperando a recibir algo a cambio. Ese algo, ese SOMA (acogiéndome al paralelismo que plantea con El Mundo Feliz de Huxley) que adopta multitud de formas.
"El hombre moderno está actualmente muy cerca de la imagen que Huxley describe en Un mundo feliz: bien alimentado, bien vestido, sexualmente satisfecho, y no obstante sin yo, sin contacto alguno, salvo el más superficial, con sus semejantes, guiado por los lemas que Huxley formula tan sucintamente, tales como: "Cuando el individuo siente, la comunidad tambalea"; o "Nunca dejes para mañana la diversión que puedes conseguir hoy", o, como afirmación final: "Todo el mundo es feliz hoy en día." La felicidad del hombre moderno consiste en "divertirse". Divertirse significa la satisfacción de consumir y asimilar artículos, espectáculos, comida, bebidas, cigarrillos, gente, conferencias, libros, películas; todo se consume, se traga. El mundo es un enorme objeto de nuestro apetito, una gran manzana, una gran botella, un enorme pecho; todos succionamos, los eternamente expectantes, los esperanzados -y los eternamente desilusionados-. Nuestro carácter está equipado para intercambiar y recibir, para traficar y consumir; todo, tanto los objetos materiales, como los espirituales, se convierten en objeto de intercambio y de consumo."

Por último voy a destacar un tema que critica Fromm y considero que sigue de actualidad. Es el asunto de la "igualdad".
"La proposición de la filosofía del iluminismo, l´ame n'a pas de sexe, el alma no tiene sexo, se ha convertido en práctica general. La polaridad de los sexos está desapareciendo, y con ella el amor erótico, que se basa en dicha polaridad. Hombres y mujeres son idénticos, no iguales como polos opuestos. La sociedad contemporánea predica el ideal de la igualdad no individualizada, porque necesita átomos humanos, todos idénticos, para hacerlos funcionar en masa, suavemente, sin fricción; todos obedecen las mismas órdenes, y no obstante, todos están convencidos de que siguen sus propios deseos. Así como la moderna producción en masa requiere la estandarización de los productos, así el proceso social requiere la estandarización del hombre, y esa estandarización es llamada "igualdad"."
En la época (y Pais) en que nos encontramos, sabemos todos mucho sobre ese tema. ¡Si hasta financiamos un Ministerio, compuesto por expertos en el tema, de Igualdad! Un Ministerio con algunas incicativas, ustedes me perdonen, que si las llamo absurdas, me quedo corta. Estamos de acuerdo en que por ser de un sexo u otro no deben hacerse distinciones a la hora de recibir un sueldo u ocupar un puesto, cierto es. Pero, como suele ocurrir, esto se lleva al extremo, hasta el punto de tratar de regular por ley, lo que debería estar sujeto a la razón. No me parece de recibo que tenga que haber un porcentaje especificado de mujeres en algunos puestos de trabajo. ¿Y si las mujeres que ahí trabajan son unas energúmenas integrales? ¿qué? ¿eh? ¿pasaran a ocupar puestos de responsabilidad por no tener colgajo entre las patas? Genial. Por no hablar de que en muchos asuntos judiciales el hombre se ve claramente desfavorecido ante la mujer. Ya saben, el chiste de la Barbie divorciada: que viene con el coche de Ken, la casa de Ken, los hijos de Ken... ¿Dónde está el ministerio de igualdad ante las muchas injusticias que padecen a veces los hombres? Cuánta gilipollez. ¿Igualdad para quién y según el criterio de quién? ¿De esas que se quieren llamar miembras y modificar la lengua castellana por ... que sí? ¿Por ser progres chupiguays de la muerte? Sí, merecemos las mismas oportunidades, con los mismos derechos... y con las mismas obligaciones. Pero somos diferentes. A mí que sigan cediéndome el asiento y dejándome pasar primero, aunque suene arcaico, no me ofendo. No me siento inferior ni menospreciada. Somos animales, joder: machos, hembras y cachorros. Mamíferos. Sociales.
Cito a Kundera en La insoportable levedad del ser cuando dice lo de: "Rebelarse contra el hecho de ser mujer le parece igual de necio que enorgullecerse de ello." ¡Ese es mi lema!

Pues eso, que el Fromm es bastante legible y quien guste de estos asuntos que nos ocupan, disfrutará leyéndole.




Y si alguno puede/quiere imprimirse la obra, hela aquí:

El arte de amar (formato .pdf)


Hasta la próxima, amigos...

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"La mayoría de la gente ni siquiera tiene conciencia de su necesidad de conformismo. Viven con la ilusión de que son individualistas, de que han llegado a determinadas conclusiones como resultado de sus propios pensamientos – y que simplemente sucede que sus ideas son iguales que las de la mayoría. El consenso de todos sirve como prueba de la corrección de 'sus' ideas."






"El amor erótico es exclusivo, pero ama en la otra persona a toda la humanidad, a todo lo que vive. Es exclusivo sólo en el sentido de que puedo fundirme plena e intensamente con una sola persona. El amor erótico excluye el amor por los demás sólo en el sentido de la fusión erótica, de un compromiso total en todos los aspectos de la vida, pero no en el sentido de un amor fraterno profundo."








"lo menos que puede decirse del amor es que implica una reacción a las necesidades inexpresadas entre dos seres."







"La historia de la ciencia está llena de ejemplos de fe en la razón y en las visiones de la verdad. Copérnico, Kepler, Galileo y Newton estaban imbuidos de una inconmovible fe en la razón. Por ella Bruno murió quemado en la hoguera y Spinoza sufrió la excomunión. A cada paso, desde la concepción de una visión racional hasta la formulación de una teoría, es necesaria la fe; fe en la visión de una finalidad racionalmente válida que alcanzar, fe en la hipótesis como una proposición probable y plausible, y fe en la teoría final, al menos hasta que se llegue a un consenso general acerca de su validez. Esa fe está arraigada en la propia experiencia, en la confianza en el propio poder de pensamiento, observación y juicio. Al tiempo que la fe irracional es la aceptación de algo como verdadero sólo porque así lo afirma una autoridad o la mayoría, la fe racional tiene sus raíces en una convicción independiente basada en el propio pensamiento y observación productivos, a pesar de la opinión de la mayoría."









"Sólo la persona que tiene fe en sí misma puede ser fiel a los demás, pues sólo ella puede estar segura de que será en el futuro igual a lo que es hoy y, por lo tanto, de que sentirá y actuará como ahora espera hacerlo. La fe en uno mismo es una condición de nuestra capacidad de prometer, y puesto que, como dice Nietzsche, el hombre puede definirse por su capacidad de prometer, la fe es una de las condiciones de la existencia humana. Lo que importa en relación con el amor es la fe en el propio amor; en su capacidad de producir amor en los demás, y en su confianza."







"Tener fe requiere coraje, la capacidad de correr un riesgo, la disposición a aceptar incluso el dolor y la desilusión. Quien insiste en la seguridad y la tranquilidad como condiciones primarias de la vida no puede tener fe; quien se encierra en un sistema de defensa, donde la distancia y la posesión constituyen los medios que dan seguridad, se convierte en un prisionero. Ser amado, y amar, requiere coraje, la valentía de atribuir a ciertos valores fundamental importancia -y de dar el salto y apostar todo a esos valores-."

jueves, 19 de noviembre de 2009

After Dark / Haruki Murakami



Tercero de Murakami que cae. Bien, acaba de inclinarse la balanza a su favor.
Tokio Blues me pareció demasiado lento, sí, ritmo oriental o como queráis llamarlo... en mi caso demasiada inexpresividad de movimiento. Es decir, pasan cosas, pero no te das cuenta. Va todo como tan frío... nah, que no me gustó. Más por las sensaciones que por el libro en sí, quizá por eso me cueste explicarlo. Pero lo que sí me gustó es que tenía banda sonora, mencionaba multitud de grupos y canciones.
Luego vino Kafka en la orilla, que como ya expliqué por aquí: me encantó. Una trama genial y un fondo extenso que incluía bibliotecas y gatos.

Y ahora ¡le toca a la noche! ¡Esa gran aliada! Qué contenta me pone que le hagan homenajes como éste. La historia del libro transcurre a lo largo de una noche y gira en torno a una chica que lee. De madrugada y lee en cafeterías. Viendo a la peña cómo se cuece y se va de fiesta, ella se queda ahí, con sus cigarritos y su libro, tan pancha. Es que, te tiene que caer bien, ya de primeras.
Y para que alguien consiga no sucumbir a la tentación de cerrar el libro, pedirse un whisky e, inmediatamente después, fuego al jambo que tenga al lado, a esas horas y con esa luna mirando, pueden existir dos razones: que esté con la regla o que tenga un problema que la haga preferir estar sola. Leyendo, aunque sea, para no pensar demasiado.

En este caso la razón es la segunda.

Pero claro, ya sabemos que las ganas que tengas de hablar con gente es directamente proporcional al número de personas que van a venir a entablar conversación contigo. Y si además tienes un libro entre manos, la proporción se multiplica por dos.
Así que llega el Don Juan de la novela, que la tiene fichada, a darle la brasa. Va y viene, porque el chaval además es músico, tiene un grupillo, y están en horas de ensayo. Tiene gancho y labia. Para mi que se la cepilla.
También aparecerá en escena una Madame de un puti cercano, con su trama correspondiente.

Y mientras se desarrollan todos estos acontecimientos donde se encuentra la chica-lectora, aparecen intercalados unos pasajes sobre una pantalla de televisión en cuyo interior se puede ver a una chica durmiendo, casi parece que está muerta.

Como ya sabemos que a Murakami le gusta mucho entrelazar líneas argumentales, no hay que ser un lumbreras para adivinar que, lo que nos cuenta en estos pasajes, mucho tiene que ver con la chica-lectora que se ve envuelta en una historia con mafias de por medio.
“-Estaré esperando –dice Kaoru-. ¿Todavía cortáis orejas? El hombre tuerce ligeramente los labios. -Vida, sólo se tiene una. Orejas, dos. -Quizá sí. Pero con una sola oreja no se pueden llevar gafas. -Es un inconveniente –dice el hombre.”



A destacar: las descripciones nocturnas-callejeras de flora y fauna, que me encandilan.
Ambos vuelven al centro del barrio. A aquellas horas apenas se ve un solo transeúnte. A las cuatro de la madrugada es cuando más tranquila está la ciudad. Sobre el pavimento hay esparcidas infinidad de cosas. Latas de cerveza, ediciones vespertinas del periódico pisoteadas, cajas de cartón aplastadas, botellas de plástico, colillas. Un trozo de un faro piloto de un coche. Un guante de trabajo. Algunos vales de descuento. También se ven restos de vómitos. Un gato grande y sucio olfatea con avidez las bolsas de basura. Quiere asegurarse su parte antes de que las ratas lo revuelvan todo, antes de que los feroces cuervos aparezcan al amanecer en busca de comida. Más de la mitad de los neones están apagados y las luces de las tiendas abiertas toda la noche resaltan en la oscuridad. Hay montones de prospectos de propaganda sujetos de cualquier manera bajo los limpiaparabrisas de los coches aparcados. Se oye sin cesar el rugido de los grandes camiones que circulan por la cercana carretera troncal. Ahora que está vacía es el momento idóneo para cubrir largas distancias.”

O cuando habla de esos temas tan recurrentes y que nunca podrán aburrirme, como la importancia y función de los recuerdos
para las personas, los recuerdos son el combustible que les permite continuar viviendo. Y para el mantenimiento de la vida no importa que esos recuerdos valgan la pena o no. Son simple combustible. Anuncios de propaganda en un periódico, un libro de filosofía, una fotografía pornográfica o un fajo de billetes de diez mil yenes, si los echas al fuego, sólo son pedazos de papel. Mientras los va quemando, el fuego no piensa: ‘¡Oh, es Kant!’, o ‘Esto es la edición vespertina del Yomiuri Shinbun’, o ‘¡Buen par de tetas!’. Para el fuego no son más que papelotes. Pues sucede lo mismo. Recuerdos importantes, otros que no lo son tanto, otros que no tienen ningún valor: todos, sin distinción, no son más que combustible.”

O cuando me abofetea con frases como esta:

“Cuando te andas con media tintas, fatal. En este mundo hay cosas que sólo puedes hacer sola y cosas que sólo puedes hacer con otra persona. Es importante ir combinando unas y otras.”


Queda recomendadísimo.
Chapeau por el japo.

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“El suelo que pisamos parece muy firme, pero, en cuanto pasa algo, se te derrumba de golpe. Y si te hundes, sanseacabó. Ya no hay vuelta atrás. Luego lo único que te queda es ir viviendo sola en el mundo de abajo, entre tinieblas.”







“-Oye, Mari. ¿Tú crees en la transmigración de las almas?
Mari sacude la cabeza.
-No. Me parece que no.
-Entonces, ¿no crees que exista el más allá?
-Nunca he pensado seriamente en eso. Pero yo diría que no hay ninguna razón para creer en ello.
-¿Y crees que después de la muerte no hay nada?
-Sí. En líneas generales, eso es lo que pienso –dice Mari.
-Pues yo sí creo en la transmigración de las almas. Vamos, mejor dicho, me da pánico pensar que no se produzca. Yo, eso de la nada, no lo entiendo. No lo entiendo y tampoco me lo puedo imaginar. (...) En cuanto pienso en esas cosas, me acojono –dice Kôrogi-. Sólo de pensarlo, siento que me falta el aire, me paralizo de miedo. Y, mira, creer en la transmigración de las almas es más cómodo. Aunque te reencarnes en algo horrible, al menos puedes imaginar qué pinta tendrás. De una forma concreta. Te ves convertida en caballo o en caracol, por ejemplo. Además si te sale mal el asunto, siempre puedes pensar que tendrás más suerte la próxima vez.”









“-Creo que, poco a poco, invirtiendo mucho tiempo, me he ido creando un mundo propio. Y cuando estoy en él, yo sola, me siento hasta cierto punto tranquila y segura. Pero el hecho de haber tenido que construirme este mundo significa, en sí mismo, que soy una persona débil, frágil, ¿no? Además, desde el punto de vista de la sociedad, mi mundo es algo insignificante. Parece una casa de cartón que un vendaval puede llevarse en un abrir y cerrar de ojos...

lunes, 16 de noviembre de 2009

Vivir adrede / Mario Benedetti


Un poquito de Benedetti.
Es la primera vez que asoma la cabeza por estos lares pero, años ha, ya hice incursiones en su obra con "El cumpleaños de Juan Ángel" y "Buzón de tiempo". El libro que nos ocupa va en la línea de "Buzón de tiempo", si no me equivoco, que también estaba compuesto de pequeños relatos a diferencia de "El cumpleaños de Juan Ángel" que estaba novelado (muy poética, eso sí).
Leer prosa poética en español original no es, para mí, tan común como quisiera. Y es una pena, porque la sonoridad y rotundidad que pueden tener estos textos no la tienen los libros que estoy habituada a leer.

"Vivir adrede" está organizado en tres partes: Vivir, Adrede y Cachivaches. "Vivir" incluye textos con temática existencialista (cómo me molan), "Adrede" es una temática más social y crítica y "Cachivaches" se dedica a jugar con el lenguaje (donde encontramos algunos temas repetidos respecto a los otros dos apartados del libro).
“Empezamos a hablar a solas porque la nueva obsesión será no olvidar nuestra lengua.”
o
“cuando alguien nos dice que nos vayamos con la música en otra parte, sin vacilar nos vamos, dichosos de que nos siga acompañando la felicidad de sus sonidos.”


Personalmente prefiero cuando trata temas universales (tempus fugit, amor,etc.) que cuando critica cuestiones sociales, religiosas o políticas (fanatismos, injusticias).
“La utopía tiene la gracia de los mitos, la maravilla de las quimeras. Si tenemos ánimo, paciencia y un poco de ilusión, podemos navegar en la barcaza de la utopía, pero no en el acorazado de lo imposible.”
Supongo que habrá mucha gente para la que sea una de sus virtudes mayores, a mí es que me aburre. En serio. Prefiero leer "El Jueves".

Por mi parte me quedo con esos grandes temas generales. Utilizaría también el adjetivo "atemporales", pero quedaría demasiado paradójico siendo uno de ellos el paso del tiempo.
El ayer transcurre sobre el fuego, sobre el mar, sobre la tierra. Nada puede borrarlo, porque es hálito, destino. No hay más remedio que meterlo en la bolsa, y cómo pesa.
El presente es apenas una línea divisoria, una frontera que de poco sirve. Uno la pisa y la pasa, y el avaro futuro nos recibe con su abrazo implacable.”
Y la principal consecuencia: los recuerdos y la nostalgia que nos causa la ausencia de aquellos o aquello que fue y ya no es.
El pasado es la única temporada que crece cada día. Desde el hoy solemos contemplarlo con un poco de angustia. Y nunca está completo. La memoria se queda apenas con fragmentos, que no siempre son los más relevantes. En el pasado hay remansos de amor y pozos de odio. Ruiseñores canoros y cigüeñas mudas. Crímenes y caridades, octubres primaverales y junios congelados.”

Otro de los temas que me tocan la fibra: el silencio.
“Así y todo, para qué negarlo (tal como lo escribí hace treinta años), hay pocas cosas tan ensordecedoras como el silencio.”
Que también relaciona con el pasado en fragmentos como éste:
El pasado es una colección de silencios, pero hay partículas calladas, irrecuperables provincias de mutismo, albas y crepúsculos que quedaron ocultos, más allá de ese horizonte tan poco hospitalario: tallos que nunca más se expandirán en rosas, oscuras golondrinas que se aclararán en uno que otro vuelo”


Y por último, el tema por excelencia: el amor.
Cuando el desamor va matando el amor, al menos hay un alma que se agrisa, un corazón que late con sordina y unos ojos que aprenden a llorar.”
¡Ay! Qué triste,
por dió.

Creo que los fragmentos hablan por sí solos y permiten hacerse una idea de cómo es la prosa de este señor. Que valore cada uno.

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“Los latidos del gastado corazón invaden nuestra noche, pero el insomnio actual tiene otra partitura”



“Tengo lo que tengo y más bien lo que tuve. En mi alma hay un pozo y en mi sangre hay un náufrago. Mis pensamientos quieren por unanimidad llevarme al sacrificio, pero mis sentimientos pagan el rescate y me evado con ellos”




Me aferro al tiempo como si pudiera sujetarlo. Qué pavada, ¿no? Qué epílogo de algo, qué prólogo de nunca. Basta por hoy. Y por mañana.
Chau.”




La alegría sobreviene después de las ausencias, al fin de las nostalgias. Si uno se reencuentra con lo amado y su revelación unánime, es lógico que el gozo nos abrace y a uno le vienen ganas de cantar. Aunque no tenga voz, aunque esté ronco de pasadas angustias.”



“Es bueno de vez en cuando tener delirios. Vienen con su poquito de locura, de enajenación, pero no importa. En ciertas fases nos hacen perder el tino, quizá porque el tino suele ser tedioso.
Los delirios nos sacan del mundo cotidiano, nos arrojan en los brazos de la desmemoria, y así, sin la menor prevención disfrutamos del olvido.”




La sinceridad de la tristeza suele nutrirse del amor; la sinceridad del amor suele nutrirse de la alegría.”

jueves, 3 de septiembre de 2009

Pequeños poemas en prosa / Charles Baudelaire


Un poquito de Baudelaire.
Conforme al título se sobreentiende que no son poemas como tal, así que tengo un poquito (un poquito sólo) de perdón por leerlo traducido. En cuanto al libro, lo compré en la librería esa de segunda mano de la que ya he hablado anteriormente. Contenía en su interior una invitación de cumpleaños de alguien que, presupongo, tiene que tener bastante dinero, un tal José Manuel. Cumplía 60 años. La invitación tiene en la parte exterior un señor vestido de torero en cuya mano derecha sostiene el capote con el número 60 en medio y en la mano izqueirda una llave inglesa. ¿Sería fontanero?
Pero lo mejor viene dentro. En perfecto castellano se nos invia el 13 de Noviembre de 1999 a la "pequeña fiesta" que tendrán en "Hällam", Idenor, Suecia y pide contestación con suficiente antelación "para poder organizar acomodación y transporte". LA OSTIA. No conozco a nadie que celebre su cumpleaños a tantos kilómetros de distancia, joder. Tenía que estar forrao, y además ser generoso. Espero que le vaya de lujo a José Manuel. Ayer cumplió 70.


Y vamos con Baudelaire...

Lo único que había leído hasta el momento eran Las flores del mal (¿y quién no?).
De temática tenemospara dar y tomar, con el denominador común del apego fiel a la realidad sin adornos ni edulcorantes que valgan.
“¡Déjame, naturaleza, hechicera despiadada, rival siempre victoriosa! ¡Deja de tentar mis deseos y mi orgullo! El estudio de lo bello es un duelo en el que el artista grita de espanto antes de ser vencido.”

La obra en sí viene precedida de una "Lecturaética de Poemas en Prosa" a cargo de un tal Enrique López Castellón. Como creo que ya he dicho en alguna ocasión, me molan estos prólogos, se aprende mucho de la vida yobra de los autores si tener que leerse su obra completa ni ser un experto en la literatura universal y sus diferentes corrientes. Lo malo es cuando se trata de una novela, que a veces si no te das cuenta y te pones a devorar líneas como un loco, resultaque te chafan el final de la historia, o más bien la historia completa al estar tan desmenuzada para su análisis.

Del prólogo extraigo un fragmento en el que Baudelaire expone el por qué de su negativa a aparecerer una obra colectiva sobre el Bosque de Fontainebleu que le ofrecieron:
“Querido Desnoyers, me pides unos versos sobre la Naturaleza, ¿verdad? Bosques, castaños gigantescos, prados, insectos, incluso el sol, ¿no? Lo siento, pero ya sabes que soy incapaz de enternecerme ante los vegetales y mi alma se revela ante esa nueva religión que siempre tendrá algo de shocking para alguien realmente espiritual, me temo. Nunca creeré que el alma de los Dioses habite en las plantas, y aunque allí habitara, me importaría más bien poco, pasando a considerar la mía mucho más preciosa que la de esas hortalizas sacralizadas (jajaja, este tipo era un cachondo)
De aquí se deduce que Baudelaire no era, precisamente, lo que se dice un naturalista. Lo que no quiere decir que deteste la naturaleza, puesto que se trata deun objeto contemplativo para él, como todo aquello que estaba presente a su alrededor:
¡Qué penetrantes son los atardeceres de otoño! Penetrantes, ¡ay!, hasta causan dolor. Pues hay ciertas sensaciones dolorosas cuyo carácter vago no excluye la intensidad; y no existe punta más afilada que la del infinito.”

Esa forma de vida contemplativa de los filósofos clásicos está presente en Baudelaire, para elq ue tanto el recogimiento
“’Casi todas nuestras desgracias se deben a no haber sabido quedarnos en nuestra habitación’, dice otro sabio, creo que Pascal, llamando así a la celda del recogimiento a todos esos locos que buscan la felicidad en medio del barullo y en una prostitución que podría llamar fraternitaria*, si quisiera hablar el bonito lenguaje de mi época.”

*Neologismo de la época, derivado del sustantivo fraternité, uno de los lemas de la revolución francesa, queriendo traducir el sentimiento de hermandad que debía reinar entre individuos libres e iguales. Algunos socialistas utópicos utilizaron el término, para diferenciar lingüística este sentimiento del fraternet , propio de los hermanos de sangre.


como la soledad no son sino virtudes para aquellos que lo practiquen:
El paseante solitario y pensativo obtiene una singular embriaguez de esta comunión universal. Quien se desposa fácilmente con la multitud conoce unos goces febriles, de los que se verá eternamente privado el egoísta, cerrado como un cofre, y el perezoso, recluido como un molusco. Adopta como propias todas las profesiones, todas las alegrías y todas las miserias que le ofrecen las circunstancias del momento. Lo que los hombres llaman amor es algo muy pequeño, muy estrecho y muy débil, en comparación con esta inefable orgía, con esta santa producción del alma que se entrega por entero, poesía y caridad, al imprevisto que se presenta, al desconocido que pasa.”


En pocas palabras:
“Multitud, soledad: términos iguales e intercambiables para el poeta activo y fecundo. Quien no sabe poblar su soledad, tampoco sabe estar solo en medio de una atareada multitud.”


Y aunque la imagen que se pueda tener de él es de un tipo harapiento tirado en alguna habitación cochambrosa dándole al vino y al láudano,
“En este mundo estrecho, aunque tan lleno de hastío, sólo me sonríe un objeto conocido: la botellita de láudano; una amante antigua y terrible; como todas las amantes, ¡ay!, fecunda en caricias y traiciones.”

como un cínico aspirando a la vida de perros que aspiró Diógenes,
“¡Que se mueran todos esos parásitos tan pesados!
¡Que se vuelvan a su caseta acolchada con sedas! ¡Yo canto al perro manchado de barro, al perro pobre, al perro sin hogar, al perro vagabundo, al perro que hace títeres, al perro cuyo instinto, como el del mendigo, el del gitano y el del cómico de la legua, está maravillosamente aguijoneado por la necesidad, esa madre tan buena, esa auténtica patrona de las inteligencias!
Canto a los perros desdichados: a los que andan errantes y solitarios por las calles sinuosas de las ciudades inmensas, y a los que han dicho al hombre marginado guiñándole inteligentemente un ojo:
¡Llévame contigo, y puede que uniendo nuestras miserias consigamos una cierta felicidad!




no es sólo eso. Mantiene la fe en la oración y es consciente de la bondad y maldad humanas
“Le habría perdonado fácilmente el deseo de disfrutar haciendo una mala acción; algo de lo que momentos antes creía capaz(...). Pero no le perdonaré nunca su cálculo estúpido. No hay excusa alguna para ser malvado, pero tiene cierto mérito saber que uno lo es; el vicio más imperdonable es hacer el mal por pura imbecilidad.”

La mujer: venerada y despreciada por partes iguales. Es como si admirara a la mujer como ente individual pero la odiara como grupo, sería lo más cercano al animal dentro del ser humano.
“¡Si supieras todo lo que veo, todo lo que siento, todo lo que oigo en tus cabellos! Mi alma viaja con el perfume como el alma de otros lo hace con la música.”
Versus
“Por muy poeta que sea, no soy tan tonto como crees, y si me cansas con demasiada frecuencia con tus afectados lloriqueos, te trataré como a una mujer salvaje, o te tiraré por la ventana como una botella vacía.”


Y por supuesto, la relevancia del tiempo. Desde el que se controla mirando la esfera del reloj
Y si algún impertinente viniera a molestarme mientras mi vista descansa en esa deliciosa esfera, si genio descortés e intolerante, algún demonio inoportuno se acercara a decirme: ‘¿Qué estás mirando con tanta atención? ¿Qué buscas en los ojos de ese ser? ¿Estás mirando ahí la hora, pródigo y holgazán mortal?’ Contestaría sin vacilar: ‘Sí, estoy mirando la hora, ¡y es la eternidad!
hasta el que delimita el juego que mantienen el sol y la luna, día sí y noche también:
¡Oh noche, oh tinieblas! Para mí sois la señal que llama a una fiesta interior, sois la liberación de una angustia. En la soledad de los llanos o en los laberintos de piedra de una capital, vosotros, el titular de las estrellas o la explosión de los faroles, sois los fuegos artificiales de la diosa Libertad.”


En fin, que tengo que recomendar estos escritos a aquel que quiera acercarse un poquito más al autor de Las flores del mal. Quizás le ocurra lo que a mí, que comulgue con prácticamente el 98% de lo transmitido por este maldito escritor. O escritor maldito. Que cada uno decida.


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“Si quieres, si quieres, te haré dueño de las almas... y dominarás la materia viviente, más aún que el escultor de arcilla; conocerás el placer, cada vez mayor, de salir de ti para olvidarte en otro, y de atraer a las demás almas hasta confundirlas con la tuya.”







“Dice la letra de una canción que el placer hace a las almas buenas y ablanda los corazones. (...) Había dirigido mis ojos a los tuyos, amor mío, para leer en ellos mi pensamiento; me había sumergido en tus ojos tan bellos y tan extrañamente dulces, en tus ojos verdes, habitados por el capricho e inspirados por la luna, cuando me dijiste: ‘¡No soporto a esa gente con los ojos abiertos como platos! ¿No puedes decirle al encargado del café que los eche de allí?’
¡Hasta qué extremo es difícil entenderse, ángel mío! ¡Hasta qué extremo es incomunicable el pensamiento, incluso entre aquellos que se aman!”

lunes, 31 de agosto de 2009

El Bandido / Robert Walser


Joder con el Walser. Es el atormentado sin tormentos.
Es la segunda novela de Walser que me leo y estoy segura de que no será la última. El tipo es de los que tanto sus personajes como la historia son atemporales, las podemos trasladar un siglo atrás o adelante que no desentonan con el contexto.

El estilo de Walser es acojonante. Reflexiones, diálogos o descripciones que va soltando a borbotones, saltando de una imagen a otra e incluso dejándote a medias algunas veces, como si fuera el avance de una historia que nos va a desvelar, y que siempre acaba dejando al lector con la intriga. Es como si lo que va escribiendo estuviera sincronizado con lo que piensa y va asociando ideas a una velocidad de vértigo, sin llegar hasta el final en muchas de ellas, el muy cabrón.

“Vaya arrojo en mis palabras, ¿verdad? El papel lo soporta sin dificultades; que luego lo soporte el lector medio, eso es ya otra cuestión.”


Porque, al jambo este, con el estilo que se gasta, te da la impresión de que le importara una mierda si lo que escribe lo van a leer o no. A pesar de que haya una narrador que presenta al Bandido a un posible lector. Y al final confiesa:
“Y es que existe gente que pretende sacar de los libros enseñanzas para la vida. Por consiguiente debo decir que, muy a mi pesar, no escribo para esta clase tan honorable de gente. ¿Si es una pena? Oh, por supuesto. Eh, tú, el más seco, el más sólido, el más bueno, el más burgués, el más amable y silencioso de los aventureros, que duermas bien entretanto. El muy tonto. Mira que contentarse con una mansarda en lugar de pedir a gritos: ‘Dadme el palacio que estáis obligados a poner a mi disposición’. Es algo que él no acaba de entender.”


Para más inri el narrador no termina de perfilarse como una persona ajena al Bandido, haciendo dudar a ese posible lector si es el propio Bandido el que cuenta la historia y más aún conforme avanza la narración.

Y en cuanto al prota...
El Bandido, pobre hombre, un desgraciado de los que marcan tendencia. Inadaptado donde los haya, pero con una moral propia muy recta, locamente enamorado de una camarera (arriba los clásicos) que pasa bastante de él. En cuanto a lo que digo de la moral, joder, a mí me la hubieran colado si me dicen, "-Y esta cita es del bilbilitano Baltasar Gracián...". Al loro:
Seamos rápidos a la hora de servir, y, cuando se trate de juzgar, lentos como al ordenar y al dirigir. Nunca es suficiente la cautela cuando se dirige. Además, dirigir y comandar son dos cosas bien distintas. Seamos tan prudentes al elogiar como al calumniar.”
Pa fliparlo.

En cuanto a Edith, su camarera, el notas analiza cuidadosamente todo lo que la rodea para poder anticiparse a los acontecimientos y ganarse su amor. Pero es que... telita con las "formas" que tiene con la gente. No apto para protocolos. No apto para hipocresías sociales.
Pero como dice mi madre: siempre hay un roto pa un descosío. Y tenemos a la señora que ve en el Bandido una persona a la que ayudar y en la que intuye un gran coraçao. Otra que se pilla, a su manera, claro. Todo celosa de la Edith.
Y, bueno, ese es el detalle sensacionalista del libro, lo bueno está alrededor.


Y ahora va el peeeeeeeero...
me gustó más Jakob Von Gunten. Este es demasiado loco. De esos libros que si te ves obligada a leer a trompicones (autobús -metro - metro -autobús) a lo largo del día, pierdes el hilo. Supongo que leído de una sentada de horas se disfrutaría más.

Ya, ya sé que he perdido el ritmo.
Duermo. SÍ. SOBO. ME APLASTO. CAIGO. DOBLO EL GORRO. Últimamente me acuesto tarde y aprovecho esos intervalos de tres cuartos de horas y medias horas pora dormir. Se me entrecruzan las líneas, no lo puedo remediar.
Tengo otro transcrito. Intentaré no tardar mucho en hacerle las cuatro líneas de comentarios.

Saludos.
:)

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“Parece que concibe beber vino como Sancho Panza, cuyos padres eran viticultores. En el vino hay como un derecho de superioridad. Cuando bebo vino, entiendo los siglos pasados, me digo que también estaban hechos de cosas contemporáneas y de las ganas de acomodarse a ellas. El vino nos convierte en expertos de los estados del alma. Uno lo aprecia todo y a la vez no aprecia nada. En el vino reluce el tacto. Si eres de lo que éstas quieren. Las relaciones, incluso las más difíciles, que existen entre un hombre y una mujer brotan como flores de una copa de vino. Todas las canciones que se han hecho sobre el vino deberían ser dignas de elogio.”
(Que viva el vino y las mujeres, Manolo Escobar, jajaja)








“El buen comportamiento nos hace buenos no sólo por dentro, sino también por fuera. El amable proceder se graba en los rasgos de nuestra cara como algo que luego es percibido como buen aspecto.”








Cualquiera de nosotros prefiere que le amen sin excesos. Es algo que nos gustaría a todos. A nadie le apetece ser el santo del otro, pues habría de ser una imagen. Ser ideal es terriblemente aburrido.







A quienes conservan su sano juicio les hago el siguiente llamamiento: no leáis siempre y de manera exclusiva esos libros sanos; acercaos un poquito a la llamada literatura enfermiza, de la que tal vez podáis sacar un consuelo vital. La gente sana debería arriesgarse siempre de una u otra manera. ¿Para qué demonios, si no, conservar el sano juicio? ¿Para morir un día saludablemente? Vaya un futuro desolador... Hoy en día sé con más certeza que nunca que en los círculos ilustrados hay mucho filisteísmo, me refiero a una cobardía moral y estética. El recelo, sin embargo, es algo malsano.







“Está claro: no hay inteligencia sin una pizca de maldad. A aquellos que son buenos porque sí, los consideramos necios. Discúlpenme y no se abstengan entretanto de tomarme a mal y para siempre este comentario, pero créanme: nada hay más orgulloso que un maestro de escuela que ya no quiere ser maestro porque se cree predestinado a ser algo mejor.”






Con las maldades se hace uno querer; con la pasión, odiar.”









“Creo en usted, me dijo una vez una mujer, pero me lo tomé como una suerte de caricia, tal vez sincera. La opinión de esa mujer, pues, era que creía en mí, pero qué son las opiniones. Las opiniones pueden cambiar de un día para otro, y la fe obedece a la opinión. Nos equivocamos cuando le decimos a alguien algo así, pues ¿cómo podríamos evaluar las dificultades que le esperan a aquel en quien tenemos fe, dificultades contra las que debe luchar para justificar esa fe? De esta manera, y sólo para que no suframos una decepción, no debería ya tener una hora de tranquilidad. Por nuestra fe, o quizá sólo porque dijimos que teníamos fe en él, está obligado a salir airoso de todas las situaciones –incluso las más difíciles- y a cosechar grandes éxitos, o grandes y continuos fracasos, como aquel al que terminan por crucificar. Le dije a la mujer que se lo agradecía , pero que prefería que tuviera la bondad de dejar de tener fe en mí. ¿Acaso no es tremendamente cómodo tener fe en alguien? Uno se puede dejar arrastrar por la fe sin el menor esfuerzo. Uno puede ser la deshonra en persona y creer firme y piadosamente en cualquier hombre bueno o valeroso.”









“Para poder dormirme de una vez, me esforzaba repetidamente por mantener los ojos bien abiertos. Y, sin darme cuenta, estaba profundamente dormido. Así que, para dormirse, hay que empeñarse en seguir despierto. No se empeñen en dormir. Para poder amar, hay que hacer todo lo posible por no amar. Y entonces, sin uno darse cuenta, estará amando. Para hallar un profundo respeto, hay que mostrarse irrespetuosamente durante cierto tiempo, entonces aparecerá la necesidad de respetar.”

lunes, 13 de julio de 2009

Las veleidades de la fortuna / Pío Baroja



Y es que ya se nos termina el verano...
Como todos los años ha sido demasiado fugaz, en Julio hasta los topes de curro y en Agosto sólo un par de escapadas (A Coruña y Granada). Y diréis, ¿pero es que esta chica no tiene vacaciones?. A ver, tener, lo que se dice tener sí que las tengo, pero me niego a desaprovecharlas durante el ÚNICO mes en que tenemos jornada reducida. Así que sólo he gastado una semana.
Estoy MUY perra. Sólo he leído 2 libros desde la última entrada. Intentaré tomar medidas.



Volvemos a uno de los grandes, al menos para mí. El señor Pío Baroja.
De muchas de sus obras me gusta el entorno en que se desarrollan, tanto a nivel de paraje como social (por ejemplo la trilogía de La lucha por la vida, en Madrid; o Zalacaín el Aventurero, que pertenece a la trilogía de Tierras Vascas, adivinen dónde), porque describe (sin descripciones) a gentes de la península con sus distintas culturas. Pero en esta ocasión nos vamos más allá de los Pirineos, acompañando a Pepita y Soledad Larrañaga, dos hermanas de Bilbao (¡pues!).

"-¿Así, que son ustedes españolas?
-Sí.
-¿De qué parte me han dicho?
-De Bilbao. Somos vascas.
-¡Ah! ¡Vascas! Los vascos han dado mucho que hablar a los antropólogos. Algunos creen que es la primera emigración aria que salió de las orillas del Mar Negro."


Total que ahí que emprenden viaje en tren pasando por diferentes lugares de Europa: Austria, Alemania, Suiza y, finalmente, Francia. El viaje, más que unas vacaciones, es una especie de huída de una de las hermanas, que tiene problemas con su marido, así que ambas damas se dedican a recorrer en tren todas esas ciudades y a ir haciendo amigos de diferentes nacionalidades por el camino. Son como dos personajes casi opuestos: una es entusiasta y positiva, mientras que la otra lo ve todo con ojos decadentes (en comparación a...). Así va poniendo a parir una y defendiendo la otra, las diferentes ciudades y personas en y con las que se van topando. Al poco de comenzar el viaje se les unirá tambien el primo José, que es avisado por el padre de las chavalas para que se pase a acompañarlas ante la riña con el marido; funcionando a su vez de juez y protector. Hay un rollito..., así, con amago de incesto...
La verdad es que José es el personaje que más me ha gustado, sus opiniones siempre parecen ser las más razonables y menos interesadas del resto; algo así como las más libres de entre todos.

Lo mejor, sin duda, es la forma dialogada en la que se presenta la novela y la tertulia en la que te sientes involucrado constantemente. Se tratan multitud de temas, principalmente los que se refieren a los diferentes países y sus culturas, tirando de tópicos a saco. Con posiciones opuestas y variopintas opiniones, los personajes se dedican a juzgar desde los judíos hasta los germanos, pasando por los andaluces o franceses. Buena caña mete, jajaja.
"-Para la gente de fuera, en España, la región de más carácter es Andalucía, a mí me parece lo más vulgar de España. (...) A mí me parece lo que tiene menos carácter. ¡Qué cantidad de pueblos ramplones, grandes, mediocres, insulsos, anémicos, sin tradición, hay allá! Parecen pueblos construidos ayer en un país colonial. ¡Y el campo andaluz! Es la monotonía absoluta. Cuando de Andalucía se va a Castilla, a León o a Navarra, todo toma un tono de violencia que asombra, un aire de tradición, de peligro, de guerra."

También se habla sobre la modernidad, las nuevas tendencias en ciencia y artes que, por otro lado, salen bastante mal paradas en los diálogos entre estos personajes.
“En ciencia y en arte todo es hoy palabrería: el expresionismo, el dadaísmo, la metapsíquica, el psicoanálisis, el pirandellismo; todo eso no es más que palabrería, no encierra medio adarme de hechos nuevos o de conceptos nuevos.”
Antes, indudablemente, el arte era mucho en la vida. Hoy es poco; por lo mismo salen voceadores más desvergonzados. Un cubista es comparado con un inventor; un mamarrachista cualquiera, que tiene cierta audacia y que apenas sabe firmar, con un sabio que se ha pasado la vida estudiando. Todo esto es completamente ridículo. Nos hablan de la inquietud del alma de los pintores. Es cosa cómica. Espíritus ganapanes de la brocha quieren demostrar que son espíritus selectos y que la estupidez del cubismo es como una locura sublime.
-Habrá también entre ellos inteligentes, no cabe duda.
-Sí, es posible; pero la mayoría no debían pasar de pintar puertas.
-Sin embargo, el cubismo es un adelanto –dijo la duquesa.
-Sí, es un adelanto ridículo. Es un adelanto para snobs, para gente vulgar, para profesores alemanes llenos de pedantería, para críticos judíos y para señoras marisabidillas. Llegar a trazar figuras más toscas y menos graciosas que las pinturas que hay en el fondo de las cavernas, dibujadas hace veinte o treinta mil años, es un progreso cómico.”
Zas! En toda la boca..


Podemos encontrar muchas referencias literarias (Plutarco, Heráclito, Shakespeare, Tirso, Cervantes, etc.) entre las que se hallan algunos autores que por aquí han aparecido.
La novela comienza con un Prólogo en el que se menciona a mi admirado Baltasar Gracián:
"Habla con frecuencia Gracián -dice Joe-, y habla con cierto gusto y delectación de los desvanes del mundo; así, la soberbia es para él la Hija sin padre en los desvanes del mundo. Al leer al retorcido ingenio bilbilitano, uno se figura los desvanes del mundo como enormes trastos viejos, de artefactos antiguos, arrumbados allá de cualquier modo. Muchos han creído ver en los tales desvanes del mundo un orden y una armonía preestablecida; otros han encontrado un sistema de compensaciones. Para los primeros y para los segundos siempre el trasto viejo tiene su utilidad y su objeto, el veneno su antídoto y la negación su afirmación."

Con esto ya deja entrever la inquietud de don Pío por la evolución, el cambio, la llegada de la modernidad de la que hablábamos antes, finalizando el prólogo de esta forma:
"Nos encontramos, aunque quizá no seamos dignos de ello, ante un nuevo período histórico y literario. Este período tiene que dar su flor. Tardará mucho en darla; quizá cien años, como el cactus secular; pero la dará. El que primero ponga esa flor en la boutonnière de su levita o de su chaqueta, dará una prueba de su perspicacia y de su dandysmo."

Otras de las referencias literarias que destacaría, son los comentarios que se hacen sobre Proust y André Gide, ahí, dándole donde más duele.
“-Todo lo que sea algo de esnobismo y de mal gusto tiene ese sello semialemán, semijudío. En Francia, por ejemplo, Proust, que manifiesta una delectación un poco profesoral y pedantesca por lo que es aberrante, es medio judío de raza. Andrés Gide, el autor de Corydón, que es de la misma escuela, medio alemán de espíritu.
-¿Ha leído usted Corydón? –preguntó Larrañaga.
-Sí, lo he hojeado.
-A mí me ha parecido una tontería. ¿Qué ventaja puede haber en convertir el mundo en la Ínsula Hermaphodítica?
-Es ridículo, completamente ridículo. ¡La pederastia ofrecida a la Sociedad como un recurso! ¡Como si no estuvieran las casa de prostitución llenas! Los pederastas, ofreciendo su cuerpo a la patria. Tendrá, con el tiempo, que ensancharse el Panteón o el Walhalla y poner una sección con este letrero: ‘A los grandes pederastas, la patria reconocida’. Yo no creo que a los invertidos haya que matarlos o marcarlos con un hierro candente; pero de eso a la glorificación, a la creación de una medalla al Mérito Pederástico, hay un pequeño abismo.”


Esta es de esas novelas en las queconsidero que la importancia estriba, no en la trama en sí, si no en el contenido reflexivo que contempla en cuanto a un gran abanico de temas. Al margen de los ya comentados, también se trata la política, los eventos sociales, el papel de la mujer, la religión, aspectos humanos como la intuición o el conocimiento, etc.

No pueden perdérselo....

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“-Yo vivo en plena fantasía –dijo-; creo en toda clase de locuras y de supersticiones. Si me quieren convencer de que mis ideas son absurdas, lo reconozco; pero sigo creyendo en ellas.”




“Digan lo que quieran, la vida no puede estar dirigida únicamente por el interés. Si la norma de la vida fuera solamente comprar barato y vender caro, la vida sería asquerosísima. Es más: yo rechazo la dirección única del intelecto. Hacer como principal norma de la existencia el pensamiento, sería condenarla a marchitarse, a secarse. La vida necesita también lo irracional, lo misterioso, lo infinito, la superstición misma...”







“-El oficio de político –afirmó Stolz- es un oficio de pedantes y, cuando no pedantes, es de apaches y de canallas; pero a mí me divierte.
-Pues yo creía que entre ustedes, los suizos, la política era una cosa muy seria.
-Sí, eso se dice; mas no hay que hacer demasiado caso de ello. La política es una buena manera de pasar el tiempo; no hay que creer que produzca un gran bien. Yo no lo diría en el Congreso, desde mi hermoso sillón; pero creo, la verdad, que la Democracia se va haciendo vieja y estéril.”








“-No sé –dijo Fischer- cómo Breughel no pintó la guerra de los partidarios del vino contra los de la cerveza; sería poco más o menos, la misma guerra del aceite contra la manteca, del sol contra la lluvia y de la vocal contra la consonante.”





“-Y la gente, ¿no habla?
-No, oye.
-A mí no me gusta sustituir con la música la conversación.
-Porque no te gusta la música –dijo Soledad.
-Es que tampoco me gustaría que al acabar de comer me dijeran: ‘Ahora vamos a leer en voz alta un trozo de Homero o de Cervantes o de quien fuera’. Mandaría a paseo al que me lo propusiera.
-Es que los alemanes no saben conversar. Les gusta más escuchar –dijo Stolz, riendo.
-Pues yo, como no tengo nada de alemana, mejor que en uno de esos cafés con orquesta, estaría en una guardillita, teniendo alguien con quién hablar.
-Pues como veo que no le gustan a usted las grandes orquestas, vamos a la calle.”








“El profesor A nos hablará de la prehistoria; el coronel B, contará su campaña de Servia; el pintor C, nos explicará la diferencia que hay entre el cubismo y el expresionismo; el doctor D, nos dirá cómo se distinguen los esquizofrénicos y los paranoicos; el farmacéutico F, cómo se pueden separar las vitaminas; la profesora G, disertará sobre la diferencia de la inteligencia en las niñas; el crítico H, hablará de la escultura de los hetitas; la señorita I, sobre Dostoiewski, y todas las letras del alfabeto disertarán, hablarán, pedantearán, entre humo de tabaco, cerveza, risas y exclamaciones guturales.” (La conversación alemana .- Las estampas iluminadas)









“-¿Y en qué momento se siente usted católico, en momentos de desgracia?
-No; generalmente, en verano.
-Hombre, en verano, ¿y por qué?
-Cuando estoy en un pueblo español y hace un calor sofocante y entro en la catedral, me encuentro tan fresco, tan a gusto, que el catolicismo me parece entonces muy sabio.”





“-Yo no comprendo bien la actitud de estas gentes con relación a la vida sexual –dijo Larrañaga.
-Se quiere encontrar algo extraordinario en ello –repuso Haller-. Quizá es natural en una época en que no hay conceptos místicos. La vida sexual del hombre no se diferencia gran cosa de la vida sexual en los demás mamíferos. Lo que la complica en el hombre son las ideas morales, religiosas, la imaginación y la economía.
-Sí, eso ha sido siempre; pero ¿por qué este moderno culto a Eros?
-No es completamente moderno. Carlyle, hablando de los novelistas franceses de su tiempo, decía que querían restaurar el culto fálico. Es natural. Es el camino qe tiene que seguir una sociedad no cristiana. Para los cristianos, toda la vida sexual es pecado, toda es mala, está íntegramente inspirado por el diablo y no tiene más escape lícito que el matrimonio. Para nuestros erotómanos actuales, la tesis verdadera es la contraria: toda la vida sexual, y hasta sus aberraciones, son respetables y están llenas de esplendor y de interés.




“Yo, por más que busco, no veo diferencia alguna entre intuición y conocimiento; el dato de la intuición me parece más sencillo, menos razonado, no convertido en idea; y el dato del conocimiento, más razonado y más lógico. El uno está menos elaborado que el otro , pero los dos proceden de lo mismo. Estas divisiones, estos conceptos adornados, son ganas de dar aspectos misteriosos a las cosas. Al trabajo que no es claramente consciente de la inteligencia se le llama intuición. En el hombre que sabe, en el que haya leído y que tenga muchos datos de cultura almacenados en la memoria, esta supuesta intuición parece y vale algo. Si no supiera ni hubiera leído nada, veríamos a qué se reducía esta intuición.”








“-¡Quién iba a creer –añadió Stolz- que todas las furias de la libertad, los entusiasmos de los eleuteromanos, iban a acabar en una cosa tan prosaica como la democracia y el socialismo, en la vida dirigida por la economía y por la estadística!”







"Llegará un día en que una especie de magos tendrán toda la ciencia en su cerebro. El resto de la humanidad será la manada de gentes estúpidas y vulgares a quien se conducirá como un rebaño. En cualquiera de estas ciudades, si nos preguntan a la mayoría de los que andamos por las calles cómo funciona este teléfono automático, el tranvía eléctrico o la telefonía sin hilos, no lo sabremos decir. Un ingeniero calculará una cosa, el otro otra, un fundidor hará agujas, el otro volantes, el otro armará el aparato, y así crearemos esos artefactos que están como por encima de nosotros, porque la mayoría no sabemos cómo funcionan.”





Habrá jerarquías sociales, científicas; pero no humanas. Estamos en un pueblo sitiado, haciendo cola en una panadería, y hay en una fila un hombre sabio, una mujer distinguida. No le hacemos paso. Estamos esperando en la casa de un médico, y tampoco perdemos el puesto ni invitamos a pasar primero al más rico, al más sabio o a la mujer más guapa. Quizá renunciaremos a nuestro puesto y cederemos el sitio al más desdichado, porque tomamos para esto un punto de vista humano, que no tiene nada que ver con la categoría intelectual o social. Yo creo que no hay más que eso: o todos en lo humano iguales, no en lo legal, que es una cosa fría y sin valor, de programa político, o si no la sociedad con jerarquías, con policía que pega, con ejército que mata en las huelgas con razón o sin ella, con política maquiavélica que puede anular a las gentes por motivos utilitarios.”






“-He leído que ese arte árabe no es árabe, sino una aportación medio persa; los árabes parecen que no inventaron nada; pero en fin, sea lo que sea, yo creo que no está dentro de las entrañas del pueblo español. Es un arte de baratijas, un arte que maneja el yeso pintado y la escayola, que huye de la figura humana. Insignificancia. La Alambra podría ser un buen quiosco de refrescos.
-¿Y la mezquita de Córdoba?
-Horrible. Es un sótano con arcos de herradura.
-¿Y el Alcázar de Sevilla?
-Sería un bonito modelo para un pabellón en una exposición de Chicago.
-Entonces, ¿qué les gusta a ustedes de España?
-Muchas cosas. Toda la huella de Roma es magnífica; los acueductos, los puentes, los anfiteatros como el de Mérida; luego, las iglesias románicas, las góticas, lo plateresco, lo barroco y El Escorial.
-Chateaubriand encontraba que El Escorial era un cuartelón.
-¡Bah! Chateaubriand era un jorobado petulante y no muy inteligente. No hay que hacer mucho caso de él.
-Pero entonces, ¿ustedes prescinden de la España árabe?
-Yo prescindo de muchas cosas. Para mí, por ejemplo, tiene más importancia la guerra de la Independencia y las guerras carlistas que la conquista de América. El Empecinado o Zumalacárregui me interesan más que Colón o que Hernán Cortés.
-Sí, pero ésa no es la España para el mundo.
-Bien; pero es la España de un español. La España para el mundo es un lugar común que no vale la pena de tener en cuenta. Para la gente de fuera, en España, la región de más carácter es Andalucía, a mí me parece lo más vulgar de España.
-¡Oh! No, no es cierto –dijo el yanqui, rechazando la idea como si quisieran engañarle.
-A mí me parece lo que tiene menos carácter. ¡Qué cantidad de pueblos ramplones, grandes, mediocres, insulsos, anémicos, sin tradición, hay allá! Parecen pueblos construidos ayer en un país colonial. ¡Y el campo andaluz! Es la monotonía absoluta. Cuando de Andalucía se va a Castilla, a León o a Navarra, todo toma un tono de violencia que asombra, un aire de tradición, de peligro, de guerra.”









“-Ya en París –le dijo aquel señor confidente que se preciaba de haber sido amigo del novelista Proust -, la mujer mundana no tiene amante, sino un gigoló. Aquella frase de sentimentalismo un poco ridículo, de una entretenida tenía un amant de coeur, se ha convertido en tener un gigoló, un querindango que no llega a querido.”









“-Esta vida solitaria que tú haces –dijo Pepita- tiene que ser triste, porque es desinteresarse de todo cuanto pasa alrededor.
-Sí; pero esta vida tiene sus ventajas. Se hace uno más recogido, más individualista. Yo, muchas veces, cuando vivía aquí o en Londres, y pasaba al anochecer entre la gente, por delante de los escaparates iluminados, no pensaba más que en si encontraría encendida la estufa de mi cuarto y si la sopa estaría quemada.
-Creo que haces mal en aislarte.
-¿Por qué? Es natural que todo el mundo se quiera defender del contacto vulgar y desagradable. A mí no me divierte oír hablar a dos comisionistas; es una cosa tan vulgar; en cambio, me gusta oír a dos labradores o a dos marineros.”








“-Tienes aire de ser del montón.
-Es para mí bonito esto de no tener aspecto de nada, no ser ni muy alto, ni muy bajo, ni muy rubio, ni muy moreno, ni llevar grandes barbas, ni grandes anteojos, ni grandes melenas..
-Ser una persona vulgar.
-Ser ciudadano de Europa, pasar inadvertido en París o en Londres, en Berlín o en Madrid. Ser para los demás una figura sin carácter y sin color, y en cambio, ser para uno mismo, lo absoluto.
-La soberbia de Lucifer.
-¿Es que no es uno para sí mismo el universo entero? Uno es todo: el tiempo, el espacio, la causalidad, el mismo Dios si se tiene la veleidad de creer en él.
-¿Y los demás?
-Los demás son el Cosmos. Cosas que se mueven y que hablan.
-¡Qué absurdos!”

martes, 23 de junio de 2009

Los puentes rotos / Pedro A. González Moreno




Qué retraso llevo con las transcripciones, joder. Tengo dos más terminados y todavía no están transcritos. Es que me estoy dedicando a hacer libros y pretendo sacarme unas perras con eso. Para que los llenen otros. Yo sólo doblo, coso, pongo guardas, chiflo, encolo, coso cabezadas y las pego, le pongo los refuerzos, los llevo a cortar, mido y encuaderno.
Pero ya sólo faltan dos semanas para las vacaciones. A Coruña, vai con coidado.



El libro que nos ocupa hoy ha sido uno de esos libros que llegan por sorpresa, con reencuentro incluído, en la feria del libro. Y es que el autor, Pedro A. González, resulta que fue mi profesor de lengua/literatura en BUP y COU. La verdad es que siempre me he sentido muy agradecida hacia él, desde siempre me gustaron esas materias, pero era uno de esos profesores que disfrutan con la implicación del alumno e intentan que le pique el gusanillo. Recuerdo cuando me dijo: pero, ¿a dónde vas tú eligiendo ciencias?... que eres de letras... ya me lo contarás. Acertaba. Renegué de la carrera de ciencias y acabé entre libros.

Y hete aquí, que me encuentro comentando una novela suya.
En un contexto actual y con personajes comunes, se diferencian tres líneas argumentales que nacen de tres protagonistas conectados. Los protagonistas son dos profesores de colegio y el colega de uno de ellos, recién divorciado. Cada personaje tiene sus propios fantasmas.
Uno de ellos, el poeta. Todo lo que le rodea es poesía, por eso creo que no interactúa prácticamente con nadie, y la relación más importante que tiene es por carta. También tiene sus tertulias en cafés hablando de métrica, premios literarios y cosas del palo, y el cómo cada uno parece que sólo se escucha a sí mismo.
"La tertulia acabó adquiriendo su aire habitual de pajarería alborotada, donde volvían a oírse, mezclados en una estridente armonía, los graznidos de aves de todas las especies líricas: golondrinas sin verano que soñaban con posarse en las páginas de las antologías; cucos de libreta en mano que cazaban metáforas al vuelo; palomas menopáusicas que zureaban sus ripis mientras raspaban con las uñas alguna mancha de café; halcones de presa fácil que no dejaban de pasar sus uñas por el lomo de todos los contertulios; loros con voz de vicetiple que vomitaban su versorrea sobre las tazas de té; cisnes de pluma lánguida que se miraban de reojo en los espejos, o buitres de vuelo raso que apuraban sin disimulo los últimos canapés y los últimos restos de vino."


Otro de ellos, el profesor, originario de un pueblo de provincia y que está hasta los huevos del colegio (hay un cura-profesor que da escalofríos), no acaba de encontrar su hueco en la ciudad y tiene que regresar a casa por un contratiempo familiar.
De ahí viene el reencuentro con la familia, y con el amor platónico (con mucho protagonismo). He flipado un poco con lo reducido de mi vocabulario rural, jajaja, conceptos como las banastas, el hacer picón con las gavillas, una pleita de esparto o los serones, me han dejado descolocá. Soy una jodida URBANITA.
Y el último, colega del anterior, un señor divorciado, que habita en el piso de su amigo el profesor por no tener/saber a dónde ir y que es un ávido lector de novelas policiacas. Otro personaje que no encuentra su sitio, pero duda entre si el problema reside en el sitio o en él mismo, así que decide acudir a una profesional. Ejem, de la PSICOLOGÍA, entre otras cosas.

Los escenarios... variopintos, con mención especial a plazas, parques, calles y gentes de Madrid.
"Hacía muchos años que ya no necesitaba irse al Retiro o a los terraplenes del Parque del Oeste a buscar la inspiración, sino que era capaz de hilvanar unos serventesios ante los escaparates de Serrano, o de redondear una décima entre los cines de la Gran Vía; podía encadenar unos tercetos por los restaurantes de las Cavas o pergeñar media silva mientras bajaba por el Paseo de Recoletos o mientras deambulaba entre los cachivaches de los puestos del Rastro."


Y ya si concretamos un poco, estarían: el café del poeta,
["al otro lado de las rojas cortinas de tafetán del Café Gijón (...) en aquel modesto exilio de la glorieta de Bilbao"]
el piso del profesor, en el que cohabitan los dos amigos, y el pueblo. Las tertulias del café son, cuanto menos, curiosas, y las sensaciones de regresar al pasado porque algo te ha estallado en la puta cara, también.
Quizás, en cuanto a cambios materiales en las vidas de los personajes no hay muchos, pero espirituales hay pa dar y tomar; aparentemente tratamos de evolucionar, pero al final somos animales de costumbres, y seguimos actuando como siempre...
Muy poético el estilo, se ve, se toca.
Un placer de lectura.






Espero no tardar tanto para la próxima. Regresaré con un poquito de Generación del 98. Grandioso.

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"Había aprendido muy pocas cosas de la vida, pero de los libros lo había aprendido casi todo: por ejemplo, que los amores verdaderos eran aquellos que nunca llegaban a alcanzarse y por eso se había entregado durante toda su existencia a amar y a escribir en silencio."







"Porque todos los viajes son circulares y, por muy paralelas que sean las vías, siempre acaban juntándose en un punto. Una buena lección de geometría: la distancia más corta entre dos puntos son siempre los recuerdos."








"Otra lección de geografía, profesor: ¿qué ríos y qué recuerdos y qué campos limitan con la infancia? Pero nada de líricas. La memoria no tiene geografía. La memoria sólo es un montón de escombros hundidos en medio de un patio. Y yo soy como un perro sin olfato que escarba entre esos escombros buscando algo vivo entre tantas cosas muertas."












"La espera y la esperanza eran una misma cosa, como las dos caras inseparables de una misma moneda, y por eso le habría gustado prolongar eternamente el hechizo de ese tiempo de duda, en el que todo estaba aún por ocurrir. La experiencia le había enseñado que al final de aquel pasillo se abría siempre una puerta, una certeza; y también sabía que al otro lado de esas puertas se desvanecía siempre el hechizo"








"Muy pronto comprendió que aquella aventura iba a ser otro puente que el azar le tendía para que abandonara (...) como quien abandona un barco que se hunde sin remedio. Y sólo tuvo que dejarse llevar por la marea, a sabiendas de que (...) apenas encontraría poco más que compañía o consuelo, a sabiendas de que (...) le conducicía hasta el otro extremo del puente y le abandonaría allí, al otro lado, en ese otro lado inestable que tienen siempre los amores deseperados y furtivos."







"-¿Y tú, Anselmo -interrumpió Andrés Espinosa-, a qué te piensas dedicar?
-Yo a vivir -respondió lacónicamente Anselmo del Álamo.
-¿Nada más?
-A vivir y a descansar. ¿Te parece poco? Después de haber estado trabajando toda mi vida ya me lo voy mereciendo.
-Eso también es verdad -asintió el poeta versolibrista-. Nos explotan durante toda nuestra vida y así no se puede pasar a las antlogías. Y si no pasamos a las antologías, ya se sabe, no pasamos a la Historia.
-Tú tampoco puedes quejarte -protestó Germán Ramírez.
-No lo dirás por lo de las antologías, porque no estoy en ninguna.
-No, lo digo por lo de la explotación. Trabajar en una biblioteca es el mejor destino para un poeta. Yo te envidio: -Germán Ramírez se acarició las barbas y puso una expresión de arrobo, casi soñadora- siempre respirando al lado de Garcilaso, rozando a Quevedo, pasándoles la manos por el lomo a las rimas de Bécquer...
-Mira que te pones cursi algunas veces, Germán."





"-Yo, si ustedes me lo permiten -opinó el poeta rioplatense-, pienso que el creador no debe estar sometido a ningún yugo, ni siquiera al de la familia. La literatura es como un sacerdocio. Uno debe entregarse a su obra y nada más. El único matrimono que suele durar siempre, y perdónenme la frase, es el del poeta y su obra.
-El del poeta y su puta, si le da igual."

martes, 9 de junio de 2009

El jugador / Fiodor Dostoievsky



¡Sí, joder, sí! Es el tercero, me gusta irle leyendo cada cierto tiempo desde que me terminé Crimen y Castigo.
Lamentablemente no tengo creadas aquí las entradas de Memorias del subsuelo y Crimen y Castigo, puesto que cayeron antes de que empezara con este rollo del blog. Quizás algún día traslade los extractos que tengo por ahí archivados...
Por lo que cuentan en la época en que escribió esta novela Dosto andaba hasta las cejas de deudas (heredadas de su hermano) y padeciendo la reciente muerte de su primera esposa; es por ello que se comprometió con una editorial para escribir una novela en el plazo establecido, o si no dicha editorial adquiriría todos los derechos de sus obras publicadas previamente. Como marujeo he de decirles que se casó con la pava que le mecanografió y revisó el estilo de esta obra.
Aquí, el Dosto, escribe con conocimiento de causa, vamos, que tuvo sus momentos frenéticos con la ruleta; así que si sumamos la capacidad innata del colega para desmenuzar el pensamiento de los personajes y su propia experiencia, los retratos le quedan clavaos.



Porque como muy claramente indica el título, y ya les he adelantado, la trama gira entorno a un jugador de ruleta. Podría decirse que se trata de un auténtico profesional, al que le rodean otros tantos profesionales del azar. En su mayoría personas pertenecientes a la burguesía, o aspirantes a pertenecer a ella, bien por motivos matrimoniales, bien por herencias recibidas. El protagonista es Alexéi Ivánovich, un tipo atormentado por sus pasiones: el juego y Polina; una aristócrata pendiente de recibir herencia por parte de su yaya, la anciana (y bastante porculera) Babulinika, cuya muerte se espera en el hotel donde se alojan los personajes como agua de Mayo. Todo sea por tener más pastaca para jugar.
Pero hete aquí que va la yaya y aparece en escena, por sorpresa, para demostrarles a la peña que más sabe el diablo por viejo que por diablo y que está de putísima madre. Tanto, que le importa una mierda el gastarse una fortuna en la ruleta desde el primer momento en que la prueba. Además, siente predilección por el riesgo y por lo tanto por apostar sólo al Cero. Con dos cojones. Pide a Alexei (con el que hace buenas migas) que le aconseje, pero como abuela que es, y el poder que le da el dinero, termina haciendo lo que le viene en gana. Conclusión: mares de dinero que acaba perdiendo, con el consiguiente disgusto de todos los interesados en enganchar pasta. Porque ya se sabe que los donetes, los canutos y la pasta, hacen que aparezcan amigos por todas partes.

Pero lo mejor de todo es sentir las obsesiones de Alexei, o más bien, las reacciones que en él producen estas obsesiones. Observador como pocos e irreverente cuando la ocasión lo merece.
"me habría entregado sin más al interés cómico en el próximo desenlace y me habría reido a mandíbula batiente"

Está empeñado en manejar la suerte a su antojo, pero desde los griegos ya sabemos que los designios La Fortuna no hay forma de esquivarlos. Sin embargo, el resultado fallido de estos intentos no le amarga lo suficiente como para dejarlo, sino que casi le resulta indiferente y, me atravería a aventurar, que incluso obtiene beneficio de perder, puesto que le permite "depurar su técnica". Y es que hay ocasiones en las que reniega de las tácticas que adoptan los jugadores, en cambio otras veces da la impresión de que tiene su propio Manual del buen jugador, que contínuamente va rectificando.
"Me pareció que los cálculos de combinaciones significaban bastante poco y no tienen, ni con mucho, la importancia que le atribuyen muchos jugadores. Se sientan con cuadernos que llenan de garabatos, apuntan las jugadas, hacen cuentas, deducen las probabilidades, calculan, por fin realizan sus posturas y... pierden igual que nosotros, simples mortales, que jugamos sin andar con tantos cálculos. Sin embargo, saqué una conclusión que me parece justa: aunque no hay, efectivamente, un sistema, existe, no obstante, una especie de pauta en las probabilidades, lo que, por supuesto, es muy extraño."



En fin, que no puedo dejar de recomendarlo: no se puede dejar pasar la ocasión de conocer al peculiar Alexei y al resto de personajes que convergen en torno a la ruleta. Si además son ustedes de aquellas personas a las que hipnotiza la bolita saltando, los números de los cartones, la especial de las tragaperras o las carreras de caballos... disfrutarán poniéndose en la piel de los personajes. Además de encontrar tópicos como que siempre se gana primero para luego perder el doble, etc. y que le reconfortan a uno (esto les pasa a todos) porque les recordarán más de una partidita que no deberían haber echado. Y lo peligroso que es...


Y aquí que me despido, hasta siguientes...

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"El caballero auténtico, aunque pierda cuando tiene, no debe alterarse. El dinero debe ser una cosa tan despreciable para un caballero, que casi no vale la pena preocuparse por él. Sería muy aristocrático, por supuesto, no darse cuenta de la cochambre de toda esa chusma y de ese ambiente. A veces, sin embargo, no es menos aristocrático y refinado darse cuenta, es decir, observar con cuidado, examinar con impertinentes, como si dijéramos, a toda esa chusma, pero sólo viendo en esa cochambre de toda esa muchedumbre una forma especial de pasatiempo, un espectáculo organizado para divertir a los caballeros."








"¡Qué demonio! Ese rostro diabólico sabía transfigurarse en un segundo. ¡En ese momento tomó un aspecto tan suplicante, tan atractivo, se sonreía de una manera tan candorosa y aun tan pícara! Al terminar la frase me hizo un guiño disimulado, a hurtadillas de los demás; se diría que quería rematarme allí mismo. Y no salió del todo mal, sólo que todo ello era burdo y, por añadidura, horrible."









"He recogido mis papeles y he vuelto a leerlos. ¡Quién sabe si los escribí sólo para convencerme de que no estaba en un manicomio! Ahora me encuentro completamente solo. Llega el otoño, amarillean las hojas. Estoy en este triste pueblecito (¡oh, qué tristes son los pueblecitos alemanes!), y, en lugar de pensar en lo que debo hacer en adelante, vivo bajo el influjo de más recientes sensaciones, de mis recuerdos aún frescos, bajo el influjo de ese torbellino de la víspera, que me arrebató en su vórtice para acabar siendo despedido. A veces se me antoja que todavía sigo girando en el torbellino, y que otra vez va a levantarse ese vendaval, arrebatándome al pasar con sus alas, y que de nuevo perderé una vez más toda una noción de orden de medida, y que seguiré dando vueltas y vueltas y vueltas..."







"Sí, a veces la idea más delirante, la que parece más imposible, se le clava a uno en la cabeza con tal fuerza que acaba por juzgarla realizable... Más aún, si esa idea va unida a un deseo fuerte y apasionado acaba uno por considerarla a veces como algo fatal, necesario, predestinado, como algo que es imposible que no sea, que no ocurra. Quizá haya en ello más: una cierta combinación de presentimientos, un cierto esfuerzo inhabitual de la voluntad, un autoenvenenamiento de la propia fantasía, o quizá otra cosa... no sé. Pero esa noche (que en mi vida olvidaré) me sucedió una maravillosa aventura. Aunque puede ser justificada por la aritmética, lo cierto es que para mí sigue siendo todavía milagrosa. ¿Y por qué, por qué se arraigó en mí tan honda y fuertemente esa convicción y sigue arraigada hasta el día de hoy? Cierto es que ya he reflexionado sobre esto -repito-, no cómo sobre un caso entre otros (y, por lo tanto, que puede no ocurrir entre otros), sino como sobre algo que tenía que producirse irremediablemente."










"¡Y he aquí que ha pasado algo más de año y medio y, a mi modo de ver, estoy mucho peor que un mendigo! ¿Qué digo mendigo? ¡Nada de eso! Sencillamente estoy perdido. Pero no hay nada con qué compararlo y no tengo por qué darme a mí mismo lecciones de moral. Nada sería más estúpido que moralizar ahora. ¡Oh, hombres satisfechos de sí mismos! ¡Con qué orgullosa jactancia se disponen esos charlatanes a recitar sus propias máximas! Si supieran cómo yo mismo comprendo lo abominable de mi situación actual, no se atreverían a darme lecciones. Porque vamos a ver, ¿qué pueden decirme que yo no sepa? ¿Y acaso se trata de eso? De lo que se trata es de que basta un giro de la rueda para que todo cambie, y de que estos moralistas -estoy seguro de ello- serán entonces los primeros en venir a felicitarme con chanzas amistosas. Y no me volverán la espalda, como lo hacen ahora. ¡Que se vayan a freír espárragos! ¿Qué soy yo ahora? Un cero a la izquierda. ¿Qué puedo ser mañana? Mañana puedo resucitar de entre los muertos Y empezar a vivir de nuevo. Aún puedo, mientras viva, rescatar al hombre que va dentro de mí."







"Por lo visto esperaba encontrarme triste y abatido.
-Me alegra mucho, de todos modos, ver que conserva plenamente su independencia espiritual y hasta su jovialidad -dijo con tono algo desagradable.
-Es decir, que está usted rabiando por dentro porque no me ve deprimido y humillado -dije yo, riendo."